
Secretaria de Saúde, Luzia Andrade
Uma gestão compartilhada para a política de saúde possibilitando a ampliação do acesso, a garantia da integralidade e a diminuição das desigualdades municipais. Com a participação de oito municípios da Região dos Lagos, em breve, já estará em funcionamento o Consórcio Intermunicipal de Saúde. Segundo a secretária de Saúde de Búzios, Luzia Andrade, a negociação para a criação do consórcio está avançada.
- Hoje temos documentos suficientes para legalizar o consórcio. A maioria das Câmaras Municipais já aprovou a sua formalização. Até o final deste ano estaremos elegendo o presidente e o vice, além dos membros do conselho de secretários. Também estamos preparando a ata de criação do consórcio, disse.
Além do consórcio, que visa promover e ampliar o aprofundamento de importantes temas para a gestão intermunicipal de saúde, até o final do ano, a população de Búzios também vai poder contar com mais recursos no Hospital Municipal Rodolpho Perissè, que ainda hoje não é credenciado pelo Sistema Único de Saúde. Segundo Luzia Andrade todos os procedimentos realizados hoje no hospital são custeados pelo município, que deixa de arrecadar cerca de R$200mil por mês do governo Federal, por falta do credenciamento.
- Conseguimos regularizar todas as pendências apontadas pelo Ministério da Saúde para o credenciamento do hospital no Sistema Único de Saúde. Hoje o hospital está irregular, ele não existe para o SUS. 100% dos procedimentos são custeados pela prefeitura. Estamos deixando de arrecadar R$200 mil por mês por falta deste credenciamento. Essa regularização será muito importante para que a gente consiga trazer para o município uma série de recursos federais e estaduais, explicou.
Os cuidados com a saúde não param por ai. Pela primeira vez, depois que o Ministério da Saúde determinou novas políticas de saúde para serem implementadas pelos municípios, técnicos da secretaria de Saúde de Búzios se reuniram no início do ano para discutir um projeto em planejamento de saúde.
- Em 2006 o Ministério da Saúde elaborou um pacto de saúde com novas políticas públicas. Ficou determinado que os municípios precisam investir na qualidade da saúde. Em dois anos, o governo passado não teve uma preocupação em mudar essa realidade. Por isso estamos providenciando um treinamento específico para cada profissional, disse Luzia Andrade.
Entre os cursos implantados na rede municipal de saúde, Luzia Andrade destaca o treinamento para os enfermeiros do Programa Médico de Família e o treinamento das equipes por categoria profissional.
- A atual gestão está muito preocupada em preparar os funcionários da melhor maneira possível. Com profissionais treinados iremos oferecer um melhor atendimento. Essas medidas funcionarão como estímulo para melhorar o serviço, e desta forma, iremos de encontro às novas políticas públicas na área de saúde determinadas pelo governo federal, explicou.
A preocupação da secretaria de Saúde de Búzios tem um motivo: No ano passado, o município ficou entre os últimos colocados no IQR – Índice Qualigest Rio, um incentivo à qualificação da gestão municipal de saúde oferecido pelo Ministério da Saúde para melhorar a qualidade no atendimento. Mas segundo Luzia Andrade 2010 será um ano bem diferente.
- Começaremos 2010 com o hospital credenciado pelo SUS. Vamos estruturar alguns serviços, como o Programa Médico de Família e o Programa de Saúde Mental. São medidas de atenção básica que serão aplicadas para que o hospital não fique sobrecarregado como está hoje. Somos o único hospital da região que trabalha com uma equipe de 9 médicos plantonistas. Exames e procedimentos são feitos em grande escala e tenho certeza que o atendimento será ainda melhor, diz a médica.
Hoje a população de Búzios já conta com programas essenciais para a qualidade de vida. Os pacientes acamados, que não podem se locomover até uma unidade de saúde, recebem tratamento em casa através do PAD – Programa de Atendimento Domiciliar. Os pacientes recebem visitas diárias de uma equipe multidisciplinar, formada por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e fisioterapeuta. Além de fazer consultas, a equipe acompanha todo o quadro do paciente, levando medicamentos e orientando os familiares sobre como dar os remédios corretamente e manter os cuidados em casa.
- São pessoas com problemas crônicos que não têm condições de locomoção. Fazemos troca de sondas, curativos de alta complexidade e fisioterapia para reabilitação e prevenção, explica.
Para que a população não precise aguardar na fila de espera do Sistema Único de Saúde – SUS – a prefeitura de Búzios, através da secretaria de Saúde, também está custeando a cirurgia de catarata. Segundo especialistas, o uso de óculos, em um momento inicial pode até ajudar, mas com o agravamento da catarata, a visão vai diminuindo gradativamente, e como não existem medicamentos que possam reverter este problema, a única solução é a remoção cirúrgica. Nos últimos meses foram realizadas 40 cirurgias no município. Os pacientes que fizeram a cirurgia em um dos olhos e já se recuperaram, estão retornando para operar a outra vista.
- Geralmente o paciente que opera catarata, mesmo aquele atendido nos mutirões, sai com a receita para comprar os colírios. Aqui em Búzios nós estamos custeando todo o tratamento, inclusive o kit com os dois colírios que são utilizados após a cirurgia, disse a secretária adjunta de Saúde, Luzia Andrade.
Criado a pouco mais de dois meses pela secretaria Municipal de Saúde de Búzios, o Programa Municipal de Promoção da Saúde, também oferece uma série de atividades alternativas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. São aulas de hidroterapia, equoterapia, RPG e pilates, que estão ajudando a melhorar a auto estima e a mudar os hábitos de pessoas que já haviam perdido as esperanças de viver melhor.
Nas aulas de hidroterapia, pacientes cadastrados no programa de Acompanhamento e Tratamento dos Transtornos Alimentares e Obesidade, com indicação para realizar a cirurgia de redução de estômago, fortificam a musculatura e as articulações. As aulas, que acontecem três vezes por semana, numa pousada no balneário, são concorridas. Para um atendimento personalizado, cada turma funciona com apenas cinco pacientes. O acompanhamento é feito antes e após a cirurgia. Além das aulas de hidroterapia, os pacientes também recebem atendimento psicológico e nutricional.
- Esses pacientes precisam perder peso antes da cirurgia, e a hidroterapia não melhora somente a parte física, mas também a psicológica. Os pacientes começam a emagrecer, melhoram a auto-estima e se esforçam para praticar os exercícios físicos e manter uma dieta equilibrada, conta.
Criado no dia 2 de março, o grupo de Acompanhamento e Tratamento dos Transtornos Alimentares e Obesidade, começou com apenas dois pacientes. Hoje são 40 pessoas em busca de mais qualidade de vida. Os encontros do grupo acontecem toda quarta-feira às 14h00 na Policlínica de Búzios. As segundas e quartas-feiras às 9h00 e às 17h00, os pacientes também praticam exercícios físicos, acompanhados por uma professora de Educação Física.
- Estes períodos, anterior e posterior à cirurgia são considerados tão importantes quanto à própria cirurgia. Se o paciente não for bem preparado para estas fases, a cirurgia pode não gerar os efeitos esperados e a pessoa voltar a engordar com sérios riscos à saúde – explica a secretária de Saúde de Búzios, Luzia Andrade.