Angolanos aprendem forró e ensinam a dança “kuduro” em visita a escolas da rede

Alunos e professores aprenderam com os angolanos a dança do kuduro

O grupo de Angola que está em Búzios desde quinta feira, num intercâmbio sobre Educação promovido numa parceria entre a ANEP-Associação Nacional do Ensino Particular daquele país africano e o Instituto Professor Serrano Freire, do Rio de Janeiro, já visitou a quatro unidades de ensino no município.

No sábado (18), os 40 angolanos e mais a equipe do Professor Serrano Freire conheceram o Centro Municipal de Educação Integral de Búzios – Cemei, onde participaram de várias oficinas, como as de dança de salão e a de cultura afro-indígena. Eles aprenderam com os alunos a dançar forró e a confeccionar bonecas de pano “abayomi”, que em língua africana significa “encontro precioso”. O grupo almoçou lá mesmo, saboreando a uma autêntica feijoada à brasileira.

        Já nesta segunda feira (21), conduzidos por dois ônibus escolares da secretaria de Educação, estes visitaram primeiro o Instituto Dominus de Educação, escola particular localizada em Geribá, indo, em seguida, à Creche Municipal Marly Quintanilha da Silva, na Rasa, onde trocaram experiências com funcionários e professores sobre o dia a dia da instituição. Por volta das três e meia da tarde, chegaram à E.M. Eva Maria de Oliveira, também na Rasa, bairro onde vivem muitos afrodescendentes.

Ali, os angolanos foram recepcionados por diretores e alunos do turno da tarde com toda a honra, ao som de música africana, e com a agitação de bandeirinhas do Brasil e de Angola. O grupo já entrou na escola dançando, e durante todo o tempo em que esteve lá, interagiu com o público, tendo inclusive feito uma apresentação especial da dança kuduro, ensinando a alunos e professores o ritmo de origem angolana, que tem feito sucesso no mundo inteiro.

 Antes, porém, os visitantes assistiram a duas apresentações da mesma dança feita por crianças da creche e do 5º. ano, e a exibições de capoeira.

           Após serem saudados pela secretária de Educação e Ciência, Carolina Rodrigues, os angolanos fizeram questão de agradecer a acolhida dos buzianos, tendo sido representados pela professora Madalena Silva.  Esta explicou que em razão de seu país só haver se tornado independente há 30 anos, e por sofrer inúmeras guerras, somente agora este começa a se erguer e a solidificar a sua educação.

         – Temos visto muitas inovações aqui. E embora não tenhamos condições de aplicar tudo lá ainda, aprendemos e vamos guardar no coração. Viemos da África e vocês são do Brasil, o meu português é um pouco diferente do vosso, pois falamos como em Portugal. Mas estamos nos entendendo, não? Somos todos irmãos e, por isso, peço agora muitas palmas para todos nós! – concluiu emocionada.

“Ninguém diz que é escola do governo”

A visita virou festa com direito a um trenzinho multicultural

 Além de conhecer as dependências da E.M. Eva Maria de Oliveira, os angolanos puderam ver  uma exposição de diferentes trabalhos, como histórias em quadrinhos, pintura, e painés de literatura, mostrando a diversidade cultural no Brasil e a força da raça negra na cultura do nosso povo.

 De acordo com a diretora da unidade, Denise Gonçalves de Jesus, todos os trabalhos expostos ali foram feitos no dia a dia dos alunos. Inaugurada no início deste ano, por estar começando e inserida num bairro de descendentes de quilombolas, a escola vem ensinando aos seus 470 alunos a história de sua patronesse, Eva Maria Conceição de Oliveira, uma descendente de escravos com 103 anos, que mora a uns 50 metros da unidade. A metodologia aplicada ali, explicou ela, é a prática de um projeto intitulado Construindo a Sua História, cujo sub tema é “Eva uma vez… Um centenário de histórias”.

 – O nosso dia a dia já é voltado para a diversidade cultural, e receber os angolanos aqui foi maravilhoso. Além de acrescentar a todos nós uma nova cultura, firma a nossa proposta educacional. Estamos duplamente felizes, até porque foi a primeira visita de um grupo de estrangeiros à escola e nos sentimos honrados com isso – comentou.

A educadora Andressa Bridarolli, brasileira casada com um angolano e residente naquele país há 18 anos, mostrou-se surpresa com o nível de higiene e a organização das escolas da rede visitadas pelo grupo.

– Ficamos maravilhados. Ninguém diz que é escola do governo – concluiu.

 

 

 

 

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